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Sharjah: um mundo a ser descoberto pelos brasileiros

Sharjah: um mundo a ser descoberto pelos brasileiros

Este ano, a convite dos organizadores, tive a oportunidade de representar o Brazilian Publishers no maior evento de literatura dos Emirados Árabes Unidos: a 35ª Feira Internacional do Livro de Sharjah (Sharjah International Book Fair) #SIBF16. O evento, que aconteceu de 2 a 12 de novembro e recebeu mais de 2 milhões de visitantes, foi antecedido pela Jornada Profissional de Editores, da qual também participei.

Apenas para contextualizar – porque eu mesmo precisei de muito contexto antes de viajar – os Emirados Árabes Unidos, localizado no Golfo Pérsico, foi constituído em 1971 com a união de sete cidades-estado: Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. Enquanto Abu Dhabi e Dubai investem no turismo de luxo, tornando-se cada vez mais globalizados, cosmopolitas e até mesmo futuristas, Sharjah diferencia-se deles por ser a Capital Cultural dos Emirados Árabes, investindo fortemente no ecoturismo e no turismo cultural.

Como boa Capital Cultural que é, não poderia faltar uma feira de livros na cidade estado. Apenas nesta edição, a Feira de Sharjah recebeu 2,31 milhões de visitantes, 1.681 editoras de mais de 60 países, com aproximadamente 1,5 milhões de títulos expostos para venda. São números que impressionam, mostrando que essa é uma feira e uma região que nós, profissionais do livro, devemos prestar atenção.

Dois dias antes do início da feira, começou a Jornada Profissional de Editores. Realizada na Câmara de Comércio, em um suntuoso prédio novo com ares de antigo, o evento abrigou durante dois dias 207 profissionais livreiros de todo o mundo. Estavam presentes países com os quais o grupo do Brazilian Publishers já tem bastante relacionamento – EUA, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, China – e outros, que arrisco dizer, bastante desconhecidos para a maioria de nós – Jordânia, Síria, Egito, Armênia, Líbano, Emirados Árabes Unidos – mas que podem ser uma interessante oportunidade de negócios para nossos empresários.

Como único representante do mercado da América Latina e dos Países de Língua Portuguesa, tive a grata surpresa de embarcar para os Emirados Árabes com oito reuniões agendadas, todas com editoras interessadas em comprar direitos autorais das editoras presentes no catálogo do Brazilian Publishers. Compras que, se realizadas, contarão com o incentivo da Bolsa Tradução de U$ 350 mil oferecida pela Feira de Sharjah, exclusivamente para aqueles que participam da Jornada Profissional de Editores.

Terminada a Jornada, começou a Feira Internacional do Livro de Sharjah, voltada para os leitores e com um modelo bastante semelhante ao da nossa Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento ofereceu ao público final uma vasta programação cultural, além da oportunidade de comprar incontáveis títulos, com os diferentes expositores presentes. Assim como a Bienal do Livro de São Paulo, a feira contava com grande maioria de público jovem, inclusive com um programa forte de visitação escolar, com dias separados para meninos e para meninas.

As semelhanças com a Bienal não param por aí. O evento contou também com uma Esquina Gastronômica – assim como o Cozinhando com Palavras – onde os Chefs Brasileiros Vico Crocco e Morena Leite se apresentaram em três dias diferentes, além de outros espaços culturais, como o Café Cultural, um outro espaço de programação exclusivo para crianças e o Social Media Café (para os jovens). Inclusive, com tantas semelhanças para compartilhar, vale lembrar que Sharjah será o homenageado na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2018.

A presença de expositores internacionais era marcante no evento, fortemente ancorado em publicações em árabe e em inglês, com estandes mais simples dos que os que estamos acostumados a ver nas nossas bienais do livro e, em 2016, tendo a Unesco como homenageada devido aos seus esforços pela educação e pela cultura em países afetados por guerras e desastres naturais.

Dentre tantas atividades culturais que Sharja oferece, além dos eventos que fui acompanhar oficialmente, pude ter contato com outros centros culturais que valeram a visita: o Museu da Civilização Islâmica, Sharjah Arts Foundation, Museu Arqueológico de Mleiha e a Universidade Americana de Sharjah. Todas essas visitas oficiais demonstraram o esforço real que os governantes do Emirado têm feito para preservar e fortalecer a cultura local.

Minha consideração final é de que existe todo um novo mundo a ser descoberto pelas editoras brasileiras e que Sharjah talvez seja um interessante ponto de partida e de apoio para contar essa história. Seja indo até os Emirados Árabes Unidos, seja aproveitando a oportunidade de ter Sharjah como país homenageado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo em 2018.

PUBLISHNEWS, LUIZ ALVARO SALLES AGUIAR DE MENEZES*, 18/11/2016

* Luiz Alvaro Salles Aguiar de Menezes é gerente de Relações Internacionais da Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pelo projeto de internacionalização Brazilian Publishers, parceria entre CBL e Apex-Brasil

 

 

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