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HQ brasileira Angola Janga é publicada nos EUA

HQ brasileira Angola Janga é publicada nos EUA

Após ser publicada na França, Portugal, Espanha e Áustria, a HQ brasileira “Angola Janga – uma história dos Palmares” chega aos Estados Unidos pela editora Fantagraphics. A narrativa da obra fala de antigas habitações de escravos fugitivos conhecidas como Palmares e localizadas na Serra da Barriga, região brasileira do estado de Alagoas. “O livro faz parte de uma tentativa de ir além da figura de Zumbi dos Palmares, e contar a história de diversos outros personagens que foram importantes nessa história, como o Ganga Zumba, Ganga Zona, os governadores, entre outros”, explica Marcelo.

Para produzir a HQ, o artista Marcelo D’Salete realizou diversas pesquisas históricas sobre o período escravocrata, o Brasil Colonial e os conflitos entre portugueses, indígenas e africanos trazidos de Congo e Angola. “Entender um pouco mais sobre esses personagens é importante para compreendermos a diversidade dentro de Palmares, as tentativas estratégicas de autonomia dessas pessoas, e a proximidade e conexão direta entre Brasil, Portugal e Angola”, conta Marcelo.  “Algumas batalhas que estavam acontecendo em Angola repercutiam diretamente no que iria acontecer com o Brasil, já que muitos desses africanos vinham para cá”, complementa o quadrinista.

Em 2017, a HQ foi incluída na lista de melhores obras de 2018 pela revista francesa Les Inrocks, uma das mais importantes publicações relacionadas à economia criativa do mundo.

Marcelo D’ Salete também chamou a atenção do mercado internacional com a HQ “Cumbe” (2014), que lhe rendeu o Prêmio Eisner 2018. A premiação acontece anualmente durante a Comic Con San Diego, na Califórnia. “Cumbe” (2014) nasceu em 2004 durante um curso sobre história do Brasil com foco na população negra, e traz histórias sobre africanos escravizados, sua cultura e seus costumes. A HQ foi publicada em Portugal, França, Itália, Áustria e EUA.

“Eu acredito que há pessoas dentro e fora do Brasil interessadas nesse tipo de história, que muitas vezes conhecemos por livros históricos. Muitos vão atrás desses livros, porque veem que são para além de um público apenas apreciador de quadrinhos. São histórias que merecem ser conhecidas e discutidas. Falar de escravidão ainda é tabu em muitos núcleos. Para vencer isso, a arte cumpre um papel excelente”, finaliza Marcelo.

Durante a sua carreira, o artista publicou ainda “Noite Luz” (2008), no Brasil e na Argentina, com histórias urbanas envolvendo uma casa noturna e “Encruzilhada” (2016), que fala sobre violência,  jovens negros e discriminação em grandes  cidades.

 

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