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HQ brasileira Carolina ganha prêmio no Festival de Quadrinhos de Angoulême

HQ brasileira Carolina ganha prêmio no Festival de Quadrinhos de Angoulême

Carolina Maria de Jesus fez sucesso internacional na década de 1960 com a publicação de “Quarto de Despejo” (1960), obra que foi traduzida para 13 idiomas. Moradora da Favela do Canindé, negra e mãe de três filhos, Carolina mantinha diários por meio de cadernos que encontrava nos lixos de São Paulo sobre o seu dia a dia e o cotidiano da comunidade. “Esquentei o arroz e os peixes e dei para os filhos. Depois fui catar lenha. Parece que vim ao mundo predestinada a catar. Só não cato felicidade”, escreveu Carolina na obra.

A escritora morreu em 1977, mas ressurgiu por meio da HQ biográfica “Carolina” (2016) de João Pinheiro e Sirlene Barbosa, que foi selecionada pelo júri do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França. O evento é um dos maiores festivais de histórias em quadrinhos do mundo e reconhece as melhores obras publicadas na França. A contemplação será entregue durante o Festival, que ocorre de 24 a 27 de janeiro, na igreja Igreja Saint-Martial de Angoulême.

“Fiquei emocionada quando soube do prêmio, pois fizemos o livro em memória de Carolina Maria de Jesus, para que o nome dela fosse retomado em ambientes acadêmicos e para estudantes da educação básica. Além disso, o nosso objetivo em criar a obra foi para que mulheres negras tivessem mais voz e que essas vozes não fossem caladas”. afirma Sirlene e ainda acrescenta: “Carolina precisa ser lida por todos”.

O quadrinista João Pinheiro explica que a obra destaca não só a escritora, como também os locais em que ela viveu. “A narrativa foi construída no intuito de incentivar um mergulho no universo de Carolina. Trabalhamos os cenários em que ela viveu como a favela do Canindé, a cidade onde ela nasceu, o contexto da cidade de São Paulo durante as décadas de 1950 e 1960, entre outros”, conta João.

Em 2016, o quadrinista brasileiro Marcello Quintanilha venceu a competição na categoria Melhor HQ policial pela publicação de Tungstênio (2014), que conta a história de um sargento do exército aposentado na orla de Salvador, capital da Bahia. A obra foi adaptada para o cinema em 2018.

“Carolina” foi publicada no Brasil pela editora Veneta e indicada ao Prêmio Jabuti 2017, o maior evento do mercado literário brasileiro que reconhece anualmente as melhores obras veiculadas.

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