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Série Autores Brasileiros apresenta a autoficção de Julián Fuks

Série Autores Brasileiros apresenta a autoficção de Julián Fuks

Eleito pela revista Granta como um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros em 2012, o romancista, contista e crítico literário, Julián Fuks conversou com o site do Brazilian Publishers sobre o processo de escrita e recepção de seu último trabalho, o romance “A Resistência”, publicado pela editora Companhia das Letras em 2015. A obra foi condecorada na Alemanha pela premiação Anna Seghers (2015) e recebeu o Jabuti de 2016 na categoria Romance e Livro do Ano. Julián é parte da Série Autores Brasileiros, uma iniciativa do Brazilian Publishers, projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

A última obra do autor tem como cenário a ditadura argentina e retrata um casal de intelectuais que buscam o exílio no Brasil com seu filho, adotado pouco antes de partirem. Ao chegar ao novo país, a família cresce e as relações se tornam complexas.

Julián contou ao Brazilian Publishers sobre o ato de escrever uma autoficção, história que sua família realmente viveu: “eu nasci durante o exílio de meus pais, eles ainda não podiam voltar à Argentina, então em mim sempre ficaram as perguntas ‘o filho de um exilado é também um exilado? Herda-se o exílio? Eu era um expatriado, ou seja, vivia longe de um país que supostamente seria a minha origem?’ e são essas indefinições que ganham força no livro, aspectos identitários que se convertem em interrogações. Acredito que isso tem muito valor de interesse literário”.

O escritor ainda explicou que seu processo criativo é muito fiel aos fatos reais e histórias de seu cotidiano: “eu sempre digo, da forma mais sincera possível, que eu sou um escritor sem imaginação. Fantasiar e fabular uma história não é algo que me venha naturalmente e sim a autoficção”. Julián define esse tipo de escrita, baseada em elementos da vida real, como sua única saída.

Ele discorre ainda sobre uma de suas maiores dificuldades: o afastamento, que apenas alcança por meio da própria escrita. “Quando eu digo ‘meu irmão’ nos livros, o meu irmão de fato vai se tornando um personagem, e não mais quem está fora da obra, afinal ele vai passando por episódios que não necessariamente estavam presentes em nossa memória e infância”, conta o escritor.

 

A recepção internacional

“A Resistência” foi publicado em Portugal, Reino Unido, França, Argentina e Itália, e Julián lembra que a recepção dos leitores sobre a obra foi diferente em cada país: “é impressionante como cada lugar traz uma perspectiva diferente de leitura e foca em pontos diferentes sobre o mesmo livro. Eu pensei que talvez a obra pudesse ser encarada como mais uma romantização do período ditatorial, mas isso não aconteceu. Ela foi muito bem recebida e as pessoas tiveram identificação com a convivência dos leitores e suas próprias famílias, com o fato histórico retratado e com a condição atual de cada país”.

No momento, Julián está em processo de finalização de sua última obra “A Ocupação”, que traz um paralelo ao seu livro anterior e à ideia de “Ocupar e Resistir”. “Assim como ‘A Resistência’, que não se trata somente da resistência política, esse meu novo trabalho também tem uma pluralidade de sentidos. Há elementos da ocupação de um prédio no centro de São Paulo, mas também a narrativa de uma mulher grávida, que não deixa de ser uma mulher que tem seu corpo ocupado por um bebê, entre outras histórias”. O livro será publicado também pela Companhia das Letras e tem previsão de lançamento ainda este ano.

 

Mais prêmios para Julián

Julián Fuks marcou presença em outras edições do Prêmio Jabuti, sendo finalista com as obras “Procura do Romance” (2011), que retrata um escritor em crise e seu processo de elaboração de um livro, versando sobre a dúvida, a dor e a indecisão no ato de escrever. Além disso, teve a obra “Histórias de Literatura e Cegueira” (2007) publicada na Romênia. O livro traz pequenas histórias fragmentadas de momentos da trajetória dos escritores Jorge Luis Borges, João Cabral de Melo Neto e James Joyce, e possuem em comum a cegueira como condição.

 

Sobre a Série Autores Brasileiros

Em busca de incentivar o conhecimento sobre a literatura contemporânea brasileira, o Brazilian Publishers, projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), criou a série “Autores Brasileiros”, que traz informações sobre escritores nacionais da atualidade.

 

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.

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