Conheça as vozes de cinco autores negros brasileiros com obras traduzidas

5 Autores Negros
16/06/2020

Os últimos meses apenas reforçaram a importância de entendermos o racismo, suas causas e efeitos. A morte de George Floyd, um homem negro, pelas mãos de um policial branco nos Estados Unidos, causou uma onda de protestos no país e no mundo, levantando mais uma vez a questão racismo estrutural e a importância da voz de homens e mulheres negros em todas as mídias, inclusive no mercado editorial.

No Brasil, diversos autores trataram do tema em obras aclamadas pela crítica e publicadas em vários países. Por isso, o site do Brazilian Publishers compilou uma lista com cinco autores negros com obras traduzidas que abordam o tema de lugares de fala, perspectivas e formas completamente diversos. Abaixo, você conhece um pouco mais sobre os nomes Djamila Ribeiro, Conceição Evaristo, Geovani Martins, Bianca Santana e Paulo Lins.

Djamila Ribeiro

Natural de Santos, litoral de São Paulo, Djamila Ribeiro é filósofa, escritora e tem seu trabalho majoritariamente baseado na discussão do feminismo negro. Conhecida por seu ativismo na internet, Djamila tem quatro obras publicadas, duas delas na França. “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?” (Chroniques sur Le Féminism Noir) e “O que É Lugar de Fala?” (La Place de La Parole Noire) foram lançados no país em 2019 pela editora Les Editions Anacaona.

Hoje, “Pequeno manual antirracista”, lançado em 2019 pela Companhia das Letras, está em primeiro lugar na lista da Nielsen dos Mais Vendidos de Não Ficção no Brasil. A obra é dividida em 11 capítulos curtos com reflexões para aqueles que têm interesse em ser um agente da transformação e lutar uma sociedade mais justa.

Conceição Evaristo

Conceição Evaristo é uma das autoras negras mais aclamadas no Brasil. Suas obras abordam temas como a discriminação racial, de gênero e de classe, passeando por diversos estilos literários como romance, poema e contos.

Sua publicação mais celebrada, “Ponciá Vicêncio” (2003), foi lançada nos Estados Unidos, pela Host Publications, e na França (“L’histoire de Poncia”), pela Anacaona. Já “Becos da Memória” (2006) virou “Banzo, mémoires de la favela”, também lançado na França.

Celebrada pelo Prêmio Jabuti em 2019 como personalidade do ano, Conceição também tem em sua bibliografia os títulos “Insubmissas lágrimas de mulheres” (2011), “Olhos d’água” (2014) e “Becos da Memória” (2006).

Geovani Martins

Com apenas 28 anos de idade, o brasileiro Geovani Martins já tem na bagagem uma experiência de décadas. Nascido e criado nas favelas da Rocinha e Barreira do Vasco, no Rio de Janeiro, Geovani resolveu abordar por meio da escrita a infância e a adolescência de moradores de favelas no livro aclamado livro de contos “O Sol na Cabeça” (2018).

Antes mesmo de sua publicação, a coletânea foi vendida para editoras de nove países, entre elas Farrar, Straus & Giroux (EUA), Faber & Faber (Reino Unido), Suhrkamp (Alemanha) e Mondadori (Itália).

Bianca Santana

“Tenho 30 anos, mas sou negra há dez. Antes, era morena.” É assim que Bianca Santana, autora natural de São Paulo, começa a série de relatos do livro “Quando Me Descobri Negra”, de 2015. A obra narra experiências pessoais ou ouvidas de outras mulheres e homens negros. Em 2018, o livro foi traduzido para o inglês e publicado na Nigéria.

“Quando Me Descobri Negra” ficou com o 3° lugar na categoria Ilustração do Prêmio Jabuti em 2016.

Paulo Lins

Autor de uma das obras mais famosas da literatura brasileira, Paulo Lins marcou a história em 1997 com “Cidade de Deus”. O livro, que virou filme em 2002 e rodou o mundo inteiro, aborda a vida nas favelas e traz um protagonista inspirado no próprio Lins. Na história, o autor conta como a favela em que morava virou um quartel de drogas nos anos 80.

Em sua bibliografia, Paulo também tem títulos como “Desde que o samba é samba” (2012) e “Era uma vez… Eu!” (2014).