Brazilian Curators:  Lucia Riff indica seis autoras para não perder de vista

21/01/2021

A agente literária Lucia Riff, fundadora da Agência Literária Riff, é a profissional que participa do Brazilian Curators desta semana. A iniciativa é promovida pelo Brazilian Publishers, programa de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Com vasta experiência no mercado editorial e em direitos autorais, Lucia explica que, dentre os principais desafios enfrentados ao levar um título para o exterior, a barreira linguística é o maior deles. “São poucos os editores estrangeiros que leem o português –  portanto todo o material apresentado precisa ser traduzido para o inglês (sinopses, quotes, resenhas, bios – e claro, o próprio livro). Por melhor que seja o material apresentado, os editores estarão lendo uma versão do texto original”, explica.

Questionada sobre as características apreciadas pelos editores do exterior, a agente conta: “o editor estrangeiro busca, prioritariamente, livros que, de alguma forma, tragam uma ‘assinatura’ brasileira: seja na temática, no estilo ou no conteúdo. Isso não significa que queiram livros sobre o Brasil da ‘caricatura’ – mas livros que, ainda que tratem de temas universais, falem também do Brasil”.

“Nossos autores, sejam clássicos, sejam contemporâneos, têm papel fundamental na difusão da cultura brasileira no exterior, em ‘traduzir’ para os estrangeiros a multiplicidade, a riqueza do nosso povo, da nossa história. Temos um país continental, jovem, diverso, dinâmico. Nossa literatura nos representa com excelência”, finaliza.

Formada em psicologia, Riff atua no mercado editorial, com direitos autorais e de imagem desde 1983, e representando escritores brasileiros com a agência desde 1991. Em sua seleção, Riff indica seis títulos e autoras brasileiras para não perder de vista. Confira:

 

A MÁQUINA DO ÓDIO, de Patrícia Campos Mello:

Campos Mello acompanhou a utilização crescente das redes sociais nas eleições internacionais que cobriu: nos Estados Unidos, em 2008, 2012 e 2016; na Índia, em 2014 e 2019. À experiência de observadora do avanço dos tecno populistas e seu “manual para acabar com a mídia crítica”, somou-se a de protagonista involuntária no front de uma guerra contra a verdade. Relato envolvente de um dos capítulos mais turbulentos de nossa história recente, A máquina do ódio é também um manifesto em defesa da informação.

Patrícia Campos Mello é repórter especial e colunista da Folha de São Paulo, além de comentarista de temas internacionais na TV, pelos canais Band e BandNews. Recebeu diversos prêmios de jornalismo e cobre há 18 anos relações internacionais, economia e direitos humanos, o que a levou a quase 50 países produzindo reportagens. Em 2017, publicou pela editora Companhia das Letras o livro Lua de mel em Kobane, em que narra a história da guerra contra o Estado Islâmico na Síria por meio do olhar de um casal de refugiados que conheceu naquele país. Sua obra mais recente, A máquina do ódio, foi lançada em 2020 pela mesma editora. Patrícia é também autora de Índia – Da miséria à potência (Planeta).

 

A DEFESA DO ESPAÇO CÍVICO, de Ilona Szabó:

Por meio de suas experiências pessoais e de pesquisas aprofundadas em seu campo de atuação, Ilona demonstra como governos populistas-autoritários manobram os mecanismos constitucionais, aumentam a intimidação e a censura, fomentam a violência e, assim, destroem gradualmente o espaço democrático. E discute, também, o que podemos fazer para lutar contra isso, em diferentes esferas da sociedade.

O livro traz ainda importantes observações sobre os desafios impostos à democracia ao redor do mundo e as composições e perfis de líderes, organizações e entidades que impactam o exercício da cidadania.

llona Szabó é uma empreendedora cívica, especialista em segurança pública e políticas de drogas. Mestre em Estudos Internacionais pela Universidade de Uppsala, na Suécia, especialista em Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Oslo, e bacharel em Relações Internacionais. É cofundadora e diretora-executiva do Instituto Igarapé, um think tank globalmente reconhecido por desenvolver novas tecnologias, elaborar e propor políticas baseadas em evidências sobre segurança, justiça e desenvolvimento. 

 

BRASIL, CONSTRUTOR DE RUÍNAS, de Eliane Brum:

Partindo das reportagens e artigos de opinião escritos nos últimos anos, especialmente para sua coluna no jornal El País, ela documenta não só mudanças objetivas, mas também as subjetivas, às vezes mais determinantes – da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro operário a alcançar o poder, aos primeiros cem dias do governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro. 

Também analisa temas centrais para a compreensão das duas primeiras décadas deste século, como o crescimento dos evangélicos, o racismo estrutural, a violência que mata os mais pobres, os novos feminismos, a desmemória e o autoritarismo que nos espreita há mais tempo do que admitimos. E interpreta o Brasil a partir da violação da floresta por governos tanto de esquerda quanto de direita.  A Amazônia é o centro do mundo – e também deste livro.

Eliane Brum é jornalista, escritora e documentarista e passa boa parte do ano em Altamira, no meio da floresta amazônica. É autora de livros de não ficção e um romance, além de ter participado de coletâneas de crônicas, contos e ensaios. Ao longo de sua carreira, a jornalista ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem, como o Esso, o Vladimir Herzog e o Rei de Espanha. Em 2008, recebeu o Troféu Especial de Imprensa ONU, “por tudo o que já fez e vem realizando em defesa da Justiça e da Democracia”. 

 

SUÍTE TÓQUIO, de Giovana Madalosso:

Neste romance pé na estrada, Giovana Madalosso coloca para girar, com força e fluidez, a vida dessas personagens que parecem eternamente em busca — de ternura, redenção, sexo, qualquer coisa que possa movê-las de onde estão. O sequestro de Cora abala as engrenagens do passado e do presente, do desejo e do ressentimento, e a procura desesperada que se segue é também um doloroso acerto de contas com a vida e as expectativas que construímos.

Suíte Tóquio é um romance vertiginoso e tragicômico que fala daquele lugar tênue entre o que as pessoas querem ser e o que de fato são.

Giovana Madalosso é formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná com graduação em roteiro pela New York University. Estreou como contista em 2016, com o livro A teta racional (Editora Grua), finalista do Prêmio Biblioteca Nacional. Em 2018, lançou Tudo pode ser roubado (Todavia), romance finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, cujos direitos foram negociados para a produção de uma série. Em 2020, publicou o romance Suíte Tóquio também pela Todavia.

 

O PESO DO PÁSSARO MORTO, de Aline Bei:

A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim O peso do pássaro morto, romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.

Jovem, irreverente, dona de um estilo literário único, a escritora paulistana Aline Bei, de 1987, surge como um dos nomes mais promissores da literatura contemporânea do país. Escreveu em 2017 seu primeiro romance, O peso do pássaro morto (Editora Nós), chamando a atenção da crítica especializada e conquistando os leitores. Com o livro, a escritora venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria de autor estreante com menos de 40 anos.

Com uma narrativa que mistura elementos da prosa e da poesia, a autora distribui as palavras pelas páginas como forma de conferir um ritmo próprio ao texto, utilizando uma linguagem poética para discutir valores morais caros à humanidade.

 

O QUE ELA SUSSURRA, de Noemi Jaffe:

Baseando-se nessa história real, Noemi Jaffe constrói um romance único sobre o poder do amor, as agruras da repressão e, sobretudo, sobre o desejo feminino e seu constante apagamento.

Noemi Jaffe nasceu em São Paulo em 1962. É escritora, professora e crítica literária. Organizou duas coletâneas de contos: 336 Horas (Casa da Palavra) e Bestiário (Terceiro Nome). Publicou seu primeiro livro aos 43 anos, e reúne em sua obra títulos de poesia, contos e crônicas e livros de não ficção. 

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.