Companhia das Letras investe em formato multiplataforma de audiobooks com mais de 80 títulos no catálogo

14/09/2021

Com a pandemia, se não dá para folhear um romance na livraria ou biblioteca, uma outra opção é ouvir podcasts e livros em áudio. A Companhia das Letras, participante do Brazilian Publishers — uma parceria entre a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, (Apex-Brasil) —, tem um selo para esse mercado, o Áudio Companhia, e atende a essa demanda por audiobooks no mercado internacional. Já são mais de 80 títulos disponíveis no catálogo geral.

A iniciativa vem para comercializar importantes títulos de seu amplo catálogo em audiobook. Agora, os leitores podem escolher em que formato conhecer as histórias que a editora publica: além de ler no formato físico e em e-book (em e-readers ou smartphones), também é possível ouvir um livro. A maior dificuldade é a produção de novos audiobooks, visto que a quarentena não tem dado muita oportunidade para gravações em estúdio.

Do faturamento total das editoras brasileiras com conteúdo digital em 2020, R$ 103 milhões foram de unidades vendidas e R$ 44 milhões foram por meio de outras plataformas de distribuição, como biblioteca virtual e serviços de assinatura de leitura digital. Em quantidade, foram 8,57 milhões de livros, sendo que 92% são ebooks e 8% são audiolivros. É um crescimento de 140% em relação a 2016, segundo a Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, coordenada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com dados apurados pela Nielsen Book.

O crescimento não foi apenas no Brasil. Segundo um balanço da Audio Publishers Association, o segmento cresceu 12% nos Estados Unidos em 2020. Marina Pastore, gerente de projetos digitais do Grupo Companhia das Letras, explica que “o crescimento desse mercado no mundo impacta o tipo de acordo que fazemos quando vendemos direitos”, diz Pastore. Com o sucesso de livros brasileiros no exterior, esse aumento na demanda em outros países significa a abertura de novos espaços para editoras brasileiras.

Marina acredita que o desafio de internacionalizar obras em áudio para outros países parte de um objetivo anterior, que é a de vender os direitos de livros brasileiros para fora. No caso de obras nacionais que já fazem sucesso, o nível de penetração em novos públicos é quase garantido: “o audiobook tem a vantagem de trazer o texto na própria voz do autor, o que funcionou muito para autores como a Djamila Ribeiro e o Lázaro Ramos, que já têm uma base de fãs muito grande”, afirma a gerente. “Além das vendas do audiobook propriamente ditas, este conteúdo pôde ser aproveitado também de outras formas, com trechos da leitura em mídias sociais e podcasts.”

Além disso, há de se considerar também que o mercado de audiobooks no Brasil ainda não está significativamente grande. “Não tivemos até o momento nenhum caso de livro mais popular em áudio do que em texto escrito”, diz Marina. Já nos EUA, alguns livros narrados por grandes autores ou celebridades costumam ter vendas muito mais comparáveis aos livros físicos. “Em termos de gêneros mais populares, percebemos que, por enquanto, livros de não-ficção, especialmente os de negócios e desenvolvimento pessoal, são os que mais têm procura no áudio. ”

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.