Conheça 5 autores negros brasileiros com obras marcantes na luta contra a discriminação racial

05/07/2024

O Brasil possui uma série de escritores com obras marcadas por diversas lutas, como a do feminismo, da igualdade social, de gênero, entre outras, incluindo a batalha contra a discriminação e pela igualdade racial no país.

Esses autores brasileiros enriquecem a literatura contemporânea, e já possuem títulos traduzidos para diversas línguas, e publicados por grandes casas editoriais internacionais. Confira abaixo uma lista com cinco escritores negros engajados na lura antirracista para ficar de olho. 

Jeferson Tenório

O autor gaúcho estreou no mercado editorial com a obra “O beijo na parede”, em 2013 – eleito o livro do ano pela Associação Gaúcha de Escritores. O livro conta a história de João, um garoto de 11 anos que foi forçado a deixar a sua cidade natal para ir a um território desconhecido no sul do país, sofrendo uma série de abandonos. Jeferson começou a escrever seus romances devido a diversas experiências negativas que teve com abordagens policiais violentas. 

O autor mostra que escrever é uma maneira de enfrentar o racismo do sul do país, assim como de todo o Brasil. Sua obra mais renomada é “O avesso da pele”, da Editora Companhia das Letras, vencedora do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Romance Literário. Tenório já teve algumas de suas obras adaptadas para o teatro e para outras línguas, no caso de “O avesso da pele”, que já foi publicado em Portugal, Itália, Inglaterra, França, Suécia, China, Bélgica e Estados Unidos. 

Ana Maria Gonçalves 

Ana Maria é autora de “Um defeito de cor”, da Editora Record, uma das mais representativas obras quando o assunto é a história escravidão no Brasil. O livro conquistou o Prêmio Casa de las Américas na categoria literatura brasileira, em 2007 e foi considerado, por Millôr Fernandes, o livro mais importante da literatura brasileira no século XXI. 

Por seu enorme sucesso e representatividade, “Um defeito de cor” foi a inspiração da escola de samba Portela para o samba enredo da agremiação no carnaval deste ano. Como resultado, a Editora registrou um aumento em mais de 10 vezes nas vendas da obra depois do desfile de uma das escolas mais tradicionais do carnaval brasileiro.  

Marcelo D’Salete

Marcelo D’Salete é um autor muito conhecido por suas histórias que destacam a cultura afro-brasileira, abordando diversas questões raciais, como o racismo e a escravidão. A obra busca retratar acontecimentos do passado e presente, como em “Angola Janga: Uma história de Palmares”, da Editora Veneta, na qual o escritor traz uma perspectiva diferente sobre o Quilombo dos Palmares, referência da maior da luta contra a opressão e o racismo no Brasil. Os quilombos eram comunidades formadas por escravizados africanos fugidos no Brasil, que buscavam liberdade e preservação de suas culturas, resistindo à opressão colonial. 

A obra foi vencedora do Prêmio Jabuti na categoria história em quadrinhos, em 2018.

Djamila Ribeiro 

Autora conhecida por seu ativismo na internet, Djamila Ribeiro é conhecida por seu livro “Pequeno Manual Antirracista”, da Companhia das Letras, vencedor do Jabuti em 2020, na categoria Ensaios, além de ser o livro mais vendido daquele ano. De uma maneira didática, a obra contextualiza a escravidão no Brasil e como ela afeta as atitudes e gera preconceito nas pessoas até os dias de hoje. 

Por conta de todo o seu ativismo, a autora foi incluída na lista da BBC das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo e eleita membro da Academia Paulista de Letras. 

Conceição Evaristo

Maria da Conceição Evaristo de Brito é uma referência na literatura afro-brasileira. Em “Olhos d’Água”, da Editora Pallas, que retrata a violência urbana e a pobreza que assola a população afro-brasileira, destacando o silenciamento das personagens por conta do racismo. Já no romance “Ponciá Vicêncio”, Conceição Evaristo aborda a discriminação racial, de gênero e de classe. 

A obra foi traduzida e publicada nos Estados Unidos em 2007, além de ser foco de diversas pesquisas acadêmicas. Conceição Evaristo foi laureada, em 2023, com o Troféu do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano de 2023. Além disso, no dia 15 de fevereiro de 2024, foi eleita para a cadeira de número 40 da Academia Mineira de Letras.