“Desesterro”, da brasileira Sheyla Smanioto, ganha prêmio internacional de tradução

Sheyla Smanioto
23/02/2021

O romance “Desesterro”, de Sheyla Smanioto, é um dos selecionados para o prêmio de tradução PEN Translates Awards. A obra será traduzida ao inglês como “Inexile”, por Sophie Lewis e Laura Garmeson, O trabalho chegou à final entre obras de 14 países e 12 línguas, de gêneros como ficção, não-ficção, crime, poesia e literatura juvenil.

Vencedor do Prêmio SESC de Literatura em 2015, este é o primeiro romance de Sheyla e sua primeira publicação internacional. O livro é ambientado em um cenário de pobreza e carência, nas cidades fictícias de Vila Marta e Vilaboinha, e transita entre realidade e sonho.

“A escrita desse livro começou quando me percebi migrante em São Paulo, quando me mudei para cursar a universidade. Conjunto com a história da minha família e todo esse peso cultural, essa história também se conecta com a experiência de fome do meu corpo, com uma crise com esse corpo de mulher”, conta Smanioto sobre o processo criativo de “Desesterro”. Ela completa: “Eu saí dessa escrita como uma pessoa completamente diferente. Foi como uma batida de carro, mas no sentido bom — foi tudo destruído para que pudesse ser reconstruído, de uma forma boa”.

Sobre o prêmio, Sheyla diz ter recebido a notícia com surpresa e uma “sensação incrível”. A autora ainda relembrou sua vitória no Prêmio Jabuti, afirmando que essas celebrações abrem novos espaços para um escritor. “Quando recebi o Jabuti, senti que ganhei um novo espaço no Brasil. Agora, com meu livro publicado lá fora, esse espaço será ainda maior, em uma nova língua”, conta Smanioto.

Os detalhes sobre o lançamento internacional do livro, que sairá pela editora Boiler House Press, ainda não foram revelados.

Sobre Sheyla Smanioto

Nascida em Diadema (SP) em 1990, Sheyla Smanioto é formada em Estudos Literários (2011) e mestre em Teoria Literária (2015), ambos pela Unicamp. No mestrado, estudou a relação entre o corpo e a escrita como possessão.

A autora conta que sua vontade de pesquisar e escrever sobre o corpo e sua relação com a imaginação veio ainda na adolescência. “Eu queria saber como impactar o corpo do leitor a partir das palavras”, conta Sheyla. “Além disso, quis descobrir também como não me sentir estrangeira no meu corpo, e isso atravessa tudo o que escrevo”, ela completa.

Em 2020, a escritora lançou “Meu Corpo Ainda Quente”, seu segundo romance.