Dia internacional da visibilidade trans: confira a seleção de autoras que levam suas vivências para a literatura Brasileira

31/03/2020

Nesta terça-feira, 31 de março, o mundo comemora o dia internacional da visibilidade trans. Seja nos quadrinhos, no meio não ficcional ou no acadêmico, a literatura brasileira tem pessoas transgênero ocupando espaços e trazendo, por meio da escrita, reflexões sobre suas identidades.

Para a escritora e acadêmica Jaqueline Gomes de Jesus, organizadora da obra “Transfeminismos: teoria e prática”, da Metanoia, hoje o lugar ocupado pelos autores trans que escrevem sobre a identidade de gênero no mercado editorial brasileiro é, ainda, marginalizado.

“O desafio é ocupar cada vez mais esse espaço dessas editoras e outros caminhos. Inclusive é um desafio abordar essas questões ficcionalmente e ir para além dos estereótipos que já foram colocados dentro das temáticas”, explica a também colaboradora do livro “Explosão Feminista”, reunido por Heloísa Buarque de Hollanda, e lançado pela Companhia das Letras. 

De acordo com Jaqueline, autores que refletem a realidade de ser transgênero no Brasil florescem principalmente no campo da autoficção e de crônicas. A escritora cita ainda a importância de nomes como João Nery, ativista dos direitos LGBT e autor de relevantes obras sobre o tema, como “Vidas trans: a coragem de existir”, da Astral Cultural. 

João foi o primeiro transgênero masculino do Brasil, e em suas memórias sob o título “Velhice transviada: Memórias e reflexões”, da editora Objetiva, o escritor relata como é difícil envelhecer como trans no Brasil. O livro foi publicado no mesmo ano do falecimento de João, 2018. 

Abaixo, uma lista com mais três nomes de brasileiras transgênero que despontam na produção literária nacional e devem ser lembradas e lidas não só no dia 31 de março, mas no ano inteiro: 

Amara Moira

Amara Moira é uma das vozes em destaque. Professora de literatura e escritora, Amara é ainda a primeira pessoa transgênero a defender uma tese doutorado com seu nome social na Unicamp, uma das universidades mais prestigiadas do Brasil. Na obra “E se eu fosse puta”, lançada pela editora Hoo, a escritora de 40 anos retrata sua experiência como prostituta, sua transição de gênero, e toda a sua vivência, angústias e medos.

Laerte Coutinho

Desde os anos 70, a quadrinista Laerte Coutinho diverte o Brasil com suas criações e histórias, como os clássicos Piratas do Tietê, Deus e Overman. A partir de 2009, o Brasil acompanhou a transição de gênero de Laerte na imprensa, e principalmente, por meio de seus personagens: Hugo virou Muriel e sua obra ganhou uma camada existencialista e ativista. Hoje, uma pessoa transgênero, Laerte é ativa na luta LGBTQI+. Um de seus recentes sucessos é o livro “Storynhas”, lançado pela Companhia das Letras, no qual a quadrinista ilustra histórias da roqueira brasileira Rita Lee. 

Helena Vieira 

Ativista transfeminista e escritora, Helena Vieira é nome que desponta na não ficção. Em 2018, a jovem autora colaborou para três livros: “Explosão Feminista”, “Tem Saída? Ensaios Críticas Sobre o Brasil” (Zouk) e “História do Movimento LGBT no Brasil” (Alameda).

Além de escrever sobre sua vivência como mulher trans, em 2017, Helena prestou consultoria para novela brasileira da Rede Globo, a de maior audiência do Brasil, e levou a temática de identidade de gênero para a casa do brasileiro.