Editores da Skeelo falam sobre estratégias de distribuição de livros digitais em Masterclass da Feira Internacional do Livro de Frankfurt

18/10/2021

No último dia 13, a Masterclass apresentada por editores da Skeelo mostrou para profissionais do mercado editorial de todo o mundo um pouco do que há por trás das cortinas das estratégias de distribuição de livros digitais no Brasil. A aula online foi promovida pelo Brazilian Publishers – uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) – e é um dos novos modelos de conteúdo digital da Feira internacional do Livro de Frankfurt.

A Skeelo tem feito sucesso com um modelo de negócios bem atual num mundo de streamings e curadorias: em parceria com operadoras de telefonia e sistemas de pagamento automático de pedágios, são oferecidos audiobooks como bônus adicional a esses serviços.

A iniciativa surgiu de um problema já conhecido no Brasil:  baixo índice de leitura. Uma pesquisa de 2020 estima que o brasileiro médio lê 2,43 livros por ano. Para um país com intelectuais e escritores conhecidos no mundo todo, como Machado de Assis, Clarice Lispector e Rubem Alves, trata-se de um dado preocupante. E Breno Lerner, editor da Skeelo, começou a aula com essa pergunta: “Por que um país tão multicultural como o nosso lê tão pouco?”.

No começo do século XXI, havia cerca de 3000 livrarias em todo o Brasil, e pelo menos uma livraria em cada município. “As constantes crises socioeconômicas e políticas aumentaram o preço médio dos livros”, explica Breno. “As duas maiores livrarias do país, responsáveis por 50% das vendas das editoras grandes, entraram em falência recentemente. Isso deixou as editoras sem lugares para vender livros físicos. ”

Mas Breno diz que não é o caso do brasileiro simplesmente não gostar de ler. Muito pelo contrário: outros experimentos, feitos com livros em bancas de jornal ou de porta em porta, provaram fazer sucesso entre o público. E com o recente crescimento do mercado digital, com lojas online, ebooks e audiobooks, surge a oportunidade de expandir esse mercado, sem esse foco apenas na clássica livraria física.

Rodrigo Meinberg, CEO e cofundador da Skeelo, falou sobre como o advento dos jornais brasileiros foi historicamente importante para alcançar os não-leitores, que com o tempo passaram a gostar de ler. “Dados sobre a leitura de jornais nunca foram assimilados nas estatísticas de leitura do nosso país. E além disso, a marca de beleza Avon é a que mais vende livros no Brasil, com seu catálogo vendido de porta em porta. Isso demonstra que a dificuldade não está no leitor, mas na distribuição”, explica ele.

Distribuição para todos

Através de muita pesquisa, os fundadores da Skeelo acreditaram que a resposta para o problema sistêmico da leitura estava na ponta dos dedos: celulares, tão onipresentes em todas as camadas sociais brasileiras, poderiam ser usados para distribuir livros clássicos e best sellers contemporâneos a um custo reduzido. Tudo através de um aplicativo de fácil uso, com ebooks e audiobooks, além dos Minibooks (livros que podem ser lidos ou ouvidos em 15 minutos).

Atualmente, a Skeelo conta com mais de 133 milhões de assinantes. E não basta apenas distribuir: com a parceria de influenciadores digitais das mais diversas bolhas, e o apoio de várias editoras e autores populares no país, a penetração no mercado é certeira para alcançar o público e fomentar boas leituras.

Rafael Lunes, cofundador da Skeelo, explica que as parcerias com os pacotes de telefonia são essenciais para o sucesso da plataforma. “Nós acreditamos que a maior parte do consumo literário vai acontecer no smartphone. Ele é o dispositivo mais conectado. O portão para consumo de conteúdo online”, diz ele. “E por que o livro não faria parte disso? Se usamos os smartphones para vídeos, música e games, por que não usamos para livros? Com a fácil distribuição em parceria com operadoras telefônicas, damos mais uma oportunidade ao usuário para se tornar leitor”.

No Brasil, as operadoras telefônicas oferecem não só pacotes de ligações e de dados, mas benefícios como streaming de música, vídeos, descontos em algumas lojas. A ideia de oferecer também um audiobook por mês, selecionado por uma curadoria, representa um próximo passo lógico para integrar o consumo de cultura em um só lugar, além de permitir um aspecto social na leitura: estar sempre por dentro do que os seus amigos estão lendo.

Rodrigo Meinberg lembra do escritor Paulo Coelho: “Ele queria que, toda vez que um refrigerante fosse vendido, uma cópia do seu livro também fosse vendida. E como vamos fazer isso em um mercado que pensa no preço do livro, e não na escala?”, pergunta ele. “O valor de um livro não é o preço da sua etiqueta ou que está na capa. O valor de um livro está nas leituras que ele traz. No reconhecimento de que esse autor fez um bom trabalho”.

A Masterclass da Skeelo sobre distribuição de livros digitais no Brasil foi apenas uma das várias atrações das quais o Brazilian Publishers faz parte na Feira do Livro de Frankfurt. Para saber mais sobre a feira, clique aqui e leia tudo sobre a programação.

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.