HQ brasileira Carolina ganha prêmio no Festival de Quadrinhos de Angoulême

11/01/2019

Carolina Maria de Jesus fez sucesso internacional na década de 1960 com a publicação de “Quarto de Despejo” (1960), obra que foi traduzida para 13 idiomas. Moradora da Favela do Canindé, negra e mãe de três filhos, Carolina mantinha diários por meio de cadernos que encontrava nos lixos de São Paulo sobre o seu dia a dia e o cotidiano da comunidade. “Esquentei o arroz e os peixes e dei para os filhos. Depois fui catar lenha. Parece que vim ao mundo predestinada a catar. Só não cato felicidade”, escreveu Carolina na obra.

A escritora morreu em 1977, mas ressurgiu por meio da HQ biográfica “Carolina” (2016) de João Pinheiro e Sirlene Barbosa, que foi selecionada pelo júri do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França. O evento é um dos maiores festivais de histórias em quadrinhos do mundo e reconhece as melhores obras publicadas na França. A contemplação será entregue durante o Festival, que ocorre de 24 a 27 de janeiro, na igreja Igreja Saint-Martial de Angoulême.

“Fiquei emocionada quando soube do prêmio, pois fizemos o livro em memória de Carolina Maria de Jesus, para que o nome dela fosse retomado em ambientes acadêmicos e para estudantes da educação básica. Além disso, o nosso objetivo em criar a obra foi para que mulheres negras tivessem mais voz e que essas vozes não fossem caladas”. afirma Sirlene e ainda acrescenta: “Carolina precisa ser lida por todos”.

O quadrinista João Pinheiro explica que a obra destaca não só a escritora, como também os locais em que ela viveu. “A narrativa foi construída no intuito de incentivar um mergulho no universo de Carolina. Trabalhamos os cenários em que ela viveu como a favela do Canindé, a cidade onde ela nasceu, o contexto da cidade de São Paulo durante as décadas de 1950 e 1960, entre outros”, conta João.

Em 2016, o quadrinista brasileiro Marcello Quintanilha venceu a competição na categoria Melhor HQ policial pela publicação de Tungstênio (2014), que conta a história de um sargento do exército aposentado na orla de Salvador, capital da Bahia. A obra foi adaptada para o cinema em 2018.

“Carolina” foi publicada no Brasil pela editora Veneta e indicada ao Prêmio Jabuti 2017, o maior evento do mercado literário brasileiro que reconhece anualmente as melhores obras veiculadas.