Igor Pires lança terceiro livro e mostra a força do movimento de Instapoetas no Brasil

24/03/2020

Poesia brasileira conquista público jovem graças à ajuda da tecnologia. Em tempos de mensagens rápidas e rotina corrida, o Instagram tem sido um aliado dos autores e leitores interessados no gênero. Os chamados instapoetas estão em alta no Brasil e, prova disso, é a venda de 600 mil exemplares dos volumes 1 e 2 da coletânea “Textos cruéis demais para serem lidos rapidamente”. As obras reúnem textos poéticos do jovem autor Igor Pires, que conquistou espaço publicando textos aliados à imagens na rede social.

A editora Alt lança no Brasil, nesta semana, o terceiro livro da coletânea: “Textos cruéis demais – O fim em doses homeopáticas”. Os dois primeiros volumes foram campeões de venda. Durante o mês de fevereiro, por exemplo, o exemplar original da série ficou em 8° lugar nas vendas dos livros de Ficção por todo o Brasil, no ranking da Nielsen Publishnews. A listagem das vendas apura os autores brasileiros mais vendidos em livrarias, supermercados e lojas de autoatendimento no Brasil.

Estudante de jornalismo, Igor criou a página no Instagram chamada “Textos Cruéis Demais” após o término de um relacionamento. O autor, de apenas 24 anos, passou a escrever muitos textos e decidiu compartilhá-los nas redes como uma forma de seguir em frente. Com a criação dos perfis, ele decidiu convidar a amiga Gabriela Barreira, designer, para embarcar com ele na ideia. 

Com os escritos e ilustrações, eles acabaram atingindo um público muito maior do que o esperado, mostrando como, apesar da crescente agilidade que a comunicação exige, ainda é necessário o tempo para digerir e entender as complexas relações humanas. “Achei que fazia sentido escrever os textões nas legendas, para contrariar a lógica da plataforma, que é uma rede social focada em imagem. No fim, descobri que as pessoas se interessavam pelos textos, porque nosso alcance foi crescendo, mostrando que existia um nicho ali, e que o público quer, sim, ler no Instagram também”, conta Igor.

Em “O fim em doses homeopáticas”, Igor Pires tenta ressignificar os finais e mostrar que há uma vida inteira a ser vivida – mesmo que ainda exista a dor. A terceira obra da série é dividida em quatro partes: começo, meio, fim e o fim depois do fim, que exploram de modo sensível o inevitável final dos relacionamentos. O livro conta com ilustrações de Anália Moraes (Casa Dobra).

O jovem autor revela que ainda está no caminho de sua própria descoberta como poeta. mesmo tendo acabado de lançar seu terceiro livro, Igor já pensa no futuro. Ainda em 2020 ele começa a escrever o quarto volume da série.

Divisor de águas

Os livros do autor foram divisores de água no segmento, isto porque atraiu leitores mais novos, abriu espaço para outros títulos e formas de consumo, e ampliou o conceito de literatura da internet. “Os leitores estavam órfãos de poesia, vimos acontecer uma evolução do gênero no Brasil e no mercado de livros mundialmente”, ressalta o escritor, se referindo ao que ele chama de “fenômeno Rupi”. Igor fala sobre a autora indiana Rupi Kaur, radicada no Canadá, que lançou seu primeiro livro de poesias curtas “Milk and Honey”, em 2014, e estourou com o best-seller em 2017 com “Outros jeitos de usar a boca”.  

Igor acompanha uma leva de instapoetas que também ganham repercussão no Brasil por meio das redes sociais. Entre eles está, como por exemplo, João Doederlein, de 22 anos, autor da série “Ressignificados”, assinada pelo brasiliense conhecido no mundo virtual como @akapoeta. Ryane Leão chegou às redes sociais com o perfil “Onde Jazz Meu Coração”, em que publica textos sobre autoafirmação, relacionamentos e empoderamento feminino. Já Zack Magiezi é o poeta que soma quase 1 milhão de seguidores no Instagram e tem três livros publicados, que somam mais de 60.000 exemplares vendidos.