“Marrom e Amarelo”, de Paulo Scott, é publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos pela editora Other Stories

14/01/2022

O ano começou com um lançamento brasileiro de peso no mercado internacional. No dia quatro de janeiro, a obra “Marrom e Amarelo”, sucesso no Brasil, chegou às prateleiras das livrarias inglesas e norte-americanas pela editora And Other Stories. O livro de autoria de Paulo Scott, poeta e escritor gaúcho, foi publicado no Brasil em 2019 pela Companhia das Letras, casa participante do Brazilian Publishers projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

Traduzida por Daniel Hahn para o  inglês, a obra conta a história dos irmãos, Lourenço, que é negro, e Frederico, que tem a pele parda. Suas vivências ora se aproximam, e em outras, se afastam. É uma narrativa sobre culpa, privilégios e a luta contra a desigualdade racial. O livro foi aclamado pela crítica no Brasil: “Marrom e Amarelo” foi finalista na categoria Romace Literário do 62º Prêmio Jabuti e venceu o Prêmio Açorianos de Literatura 2020.

A parceria de Scott com a And Other Stories vem desde a publicação de “Nowhere People” (Habitante Irreal), também com tradução de Daniel Hahn. A obra, publicada no Brasil pela Companhia das Letras em 2011, foi premiada com a Bolsa Petrobrás de Criação Literária em 2010 e, ainda, venceu o Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional em 2012. A repercussão do livro no exterior foi muito positiva, sendo bem recebida e avaliada no território inglês e americano, o que indica boas chances de repetir o sucesso na recepção de “Phenotypes”.

As expectativas referentes ao lançamento da obra no exterior são otimistas: “A And Other Stories trabalha os seus livros e acolhe as escritas de seus autores. É uma editora que entendeu como se comunicar com leitores ávidos por novas narrativas, novos protagonismos, novas dicções. Com “Phenotypes”, considerando que hoje sou um pouco mais conhecido por lá, acredito que haverá uma boa repercussão”, espera Paulo em relação ao acolhimento da obra pelo público internacional.

“Em um Brasil conhecido pelo mundo por uma convivência, supostamente harmônica, entre etnias e culturas bastante distintas, a história de Lourenço e Federico nos faz refletir sobre as perversidades do racismo, como doença coletiva que interfere de maneira tão desastrosa na subjetividade de todos, sejam os atingidos diretamente e as pessoas que, erroneamente, se julgam imunes aos efeitos da sua violência. A narrativa desencadeia em seus leitores, percepções de verdades que só ocorrem no plano ficcional, renovando sensibilidades e questionamentos reprimidos, que a inércia e a ordem civilizatória, não nos permite apreender com facilidade”, diz Paulo.

O romance tem como temas centrais o colorismo e o racismo no Brasil e tem alçado voos cada vez maiores, chegando a lugares onde poucas obras obra ficcionais, que assumem essas temáticas na composição de seu cenário, chegaram.

“Marrom e Amarelo é o livro da raiva, e raiva é algo universal e atemporal. Um romance de ruptura de um processo de não querer e não conseguir enxergar, pensar e enfrentar a enorme distância que sempre há em relação ao outro, quando a lente do operar narrativo é deslocada para a identidade geral e sua percepção em um país que tem um medo enorme de se olhar no espelho, de encarar suas idiossincrasias mais terríveis, como é o caso do Brasil”, explica o autor.

Embora os objetivos da luta antirracista sejam os mesmos, as questões raciais divergem em alguns pontos em cada país. Para Scott, existem diferenças do contexto da realidade brasileira para outras nacionalidades. “No exterior, eu percebo que, talvez pelo distanciamento óbvio, as leituras são mais propensas a perceber, em maior amplitude, a complexidade, a problemática, contida nas várias camadas do enredo, da trama. Minhas narrativas incomodam, de maneira que talvez seja mais custoso, mais dolorido de processar, para quem está mais próximo da urgência contada, transfigurada literariamente, e comprometida pela grande ilusão de paz e felicidade que é o Brasil”, cita Scott sobre a interpretação da desigualdade racial, muito presente no livro, pelo público internacional.

Pouca atitude pode ser mais racista e opositora ao antirracismo do que afirmar que no Brasil não existe racismo. A desigualdade racial e o colorismo ainda são temas tabu, o que é trágico. Todos perdem com a ausência desse debate público, com esse diálogo que foi varrido para baixo do tapete, mas que nos últimos anos começa a acontecer e provocar mudanças necessárias”, encerra o gaúcho.

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.