Mercado editorial: o que esperar para 2022

17/01/2022

Depois do início da pandemia surpreender e assolar mercados em todo o mundo, a economia inaugura um novo ciclo em 2022. O prognóstico para o mercado editorial brasileiro e global é de otimismo e recuperação, graças a reabertura das livrarias físicas e o retorno dos eventos presenciais.

De acordo com a vice-presidente da International Publishers Association (IPA) e diretora da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, o mercado começa o ano aquecido. “É um período de adaptação e resiliência. O setor editorial de vários países cresceu em termos de número de negócios e houve, ainda, uma retomada efetiva nas vendas de livros desde o ano passado”, cita.

Karine acredita que os desafios de sempre, com relação ao copywriting e à liberdade de publicação, que são os dois grandes pilares da IPA, continuam, porém segue esperançosa. “Eu vejo o mercado global aquecido como um todo, tivemos quedas e depois recuperações expressivas”, explica. 

Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro, também compartilha uma visão similar a de Karine. “Ainda não temos os dados de pesquisa de vendas anual da CBL referente ao ano de 2021, mas sabemos que serão melhores, dado a reabertura das livrarias. Estou confiante e muito feliz com a volta da agenda presencial, principalmente da edição física da Bienal Internacional do Livro, que acontece em julho. Depois de dois anos, inicia-se um ciclo positivo”, diz o presidente da CBL, Vítor Tavares.

O retorno dos eventos presenciais também é bem visto por Fernanda Dantas, gerente executiva do Brazilian Publishers — projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). 

“Ano passado já tivemos uma recuperação expressiva. Para 2022 esperamos que esse crescimento seja ainda melhor, com o retorno das atividades presenciais e a adaptação das editoras ao digital”, conta. Fernanda refere-se ao balanço inicial de negócios de 2021 das editoras participantes do Brazilian Publishers, que revela um reaquecimento do mercado global do livro. Estimativas apontam que as 56 editoras participantes do Programa fecharam o ano com aproximadamente USD 600 mil em vendas de livros e USD 450 mil em direitos autorais e serviços. O resultado estimado apresenta um bom crescimento quando comparado a 2020, que no total movimentou apenas USD 636 mil.

“Em 2021 alguns eventos já ocorreram presencialmente, como a Feira Internacional do Livro de Guadalajara e a Feira Internacional do Livro de Sharjah. A tendência para 2022 é ainda mais otimista, com muitos eventos físicos programados, com destaque para as Feiras do Livro de Bolonha e Londres, na qual a delegação brasileira já está com participação confirmada”, explica Fernanda. 

Karine acredita que para garantir a segurança dos editores, autores e visitantes dos eventos, todos os cuidados devem ser tomados, como o uso de máscara. “Sinto que os consumidores têm vontade de participar desses eventos. Essas feiras tiveram grande interesse por parte da população, o que mostra que as pessoas querem voltar a estar presentes”, pontua.

A importância do digital 

A vice-presidente também aponta a importância do digital na recuperação do mercado editorial pós-pandêmico. Ela cita duas iniciativas feitas pela IPA, em momentos diferentes. A primeira é uma pesquisa chamada de “From response to recovery”, que mede o impacto da Covid-19 na indústria editorial do mundo, e a outra é o plano “International Sustainable Publishing and Industry Resilience Plan (InSPIRe)”, que teve como objetivo colocar várias cadeias produtivas juntas. Ambos atestaram que em sociedades em que a indústria e o modelo de internet já eram mais desenvolvidos e preparados em relação às tecnologias de mercado, como o uso de e-commerce, e-book e áudio book, o mercado conseguiu se colocar e se recuperar de maneira muito mais rápida do que em lugares onde essas ferramentas eram pouco utilizadas.

“Acredito que depois de dois anos, temos um mercado que conseguiu se adaptar como um todo, porém, algumas regiões ainda sofrem com a falta de desenvolvimento local. Vejo essa mesma situação no Brasil, que é um país tão grande e com regiões tão diferentes entre si. Nas regiões mais desenvolvidas, a recuperação do mercado foi muito mais expressiva, e nas regiões menos desenvolvidas, essa recuperação é um pouco mais lenta e gradativa. Então não podemos falar de crescimento de um mercado inteiro em termos globais ou nacionais, mas sim por regiões”, finaliza a executiva.

Sobre o Brazilian Publishers

Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.